Salvem a Pampulha!

2, dezembro, 2011 Sem comentários

Chega de sobrevidas ameaçadoras Publicado no Jornal OTEMPO em 01/12/2011

 

JOSÉ MARIA COUTO MOREIRA

Procurador do Estado

A imprensa tem mostrado aos belo-horizontinos a maior doença de nossa cidade: a poluição contagiosa, triste e vergonhosa da maior atração da nossa antiga cidade vergel.


Aliás, a manchete é recorrente, enquanto recorrente também é a administração municipal, prometendo os candidatos a ela uma grande operação de salvamento, e, quando empossados, omitindo-se ou não, mais que mitigando as dores daquele organismo agonizante.


Falam ambientalistas dos estertores daquele cartão-postal, gritam os preservadores daquele exuberante patrimônio arquitetural e físico, desencantam-se os moradores, protestam os belo-horizontinos, rugem os usuários e malham os que alguma voz possuem em nossa comunidade.


Nada, até hoje, conseguiu reunir a mobilização de forças citadinas para conter o previsível fim daquela doce paisagem que inspira os namorados, alegra os transeuntes e engalana a cidade. Visitantes deste Brasil e do exterior já se embriagaram com a Pampulha, criada pelo espírito mais sensível que já ocupou a sede do poder público municipal. A Pampulha, na verdade, nasceu com Juscelino e morreu com ele.


Morreu porque a criatura não recebeu as necessárias carícias de quem as devia, porque, ainda jovem, não lhe foram dirigidas atenções de que carecia para conviver com os ribeirões que lhe são tributários. Seu fim é agônico, pois os mesmos que lhe declararam amor não honraram suas promessas. É pena, mas a administração municipal, diante de evidências que a cada dia se multiplicam, só se movimenta quando a imprensa oferece as denúncias - melhor dizendo, contribuições - e, então, diante do quadro sempre catastrófico, adota uma ou outra providência que nada muda a situação inquietante que angustia moradores e usuários.


E não há muito a dizer; o retrato da catástrofe é não só revelado em preto e branco como ao vivo. Muito a fazer é a ordem. E não se aleguem motivos que impeçam uma ação intensa (porque é permanente) e eficaz para barrar o assoreamento e o envenenamento da lagoa. Se os recursos abundantes e sempre presentes para propaganda fossem canalizados para seu soerguimento - no qual, aí sim, patenteia o interesse público - a nossa esquecida e infeliz Pampulha poderia hoje ostentar a beleza e o vigor que abasteceram sua curta existência.


O protesto pela situação crítica em que se encontra a nossa lagoa e a súplica de todos nós pela sua recuperação são muito pouco do que o povo pede à administração municipal. Chega de sobrevidas ameaçadoras! Será que os trabalhos de saneamento iriam abalar as finanças municipais? É o mínimo que esta pacífica capital pede, é pouco o que seus habitantes aguardam do poder público, e esse pouco é tudo que se espera para que voltem a desfrutar daquele conjunto magnífico todos os que de lá se afastaram.


Que a Pampulha volte a ser o que era, aquele convidativo e agradável recanto frequentado pelos pássaros e pela “jeunesse doré” que lá bailou nas curvas instigantes de mestre Niemeyer.

 


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Lagoa da Pampulha vira ‘lixão-postal’ de BH

1, dezembro, 2011 Sem comentários

Uma das imagens símbolo de BH, represa recebe toda sorte de restos e até peças de carros e motos. Substâncias como óleos e graxas também podem prejudicar projetos de despoluição

 

 

Publicação: 29/11/2011 por  Mateus Parreiras

 

 pampulha1

Encarregados da limpeza já não se surpreendem com a diversidade da sujeira na orla

 

“Não adianta só canalizar os esgotos, como o poder público planeja fazer. Os óleos e graxas, por exemplo, descem dos bota-foras, dos postos de combustíveis e dos veículos que circulam. São tão nocivos quanto o esgoto. São tóxicos. E ainda ajudam na proliferação de algas que bloqueiam a luz e a produção de oxigênio na água”, afirma o biólogo Ricardo Motta Pinto Coelho, coordenador do Laboratório de Gestão Ambiental de Reservatórios (LGAR) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Amontoados nas margens, mangueiras de veículos, portas, escapamentos, correias, embalagens de lubrificantes, desengripantes, aditivos e combustíveis são responsáveis por desprender quantidades muito altas de óleos e graxas na água de um dos cartões-postais mais importantes e conhecidos da capital mineira. De acordo com o Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama), águas doces usadas para transporte náutico, no nível planejado para a Pampulha na Copa do Mundo de 2014, não podem apresentar qualquer quantidade de óleos ou graxas.

Estudos inéditos mostram que os produtos viscosos se encontram flutuando na superfície em concentrações altas, de até 12 miligramas por litro d’água. Órgãos de meio ambiente calculam que uma gota de óleo (1 mg) torna 1.000 litros de água impuros. Os dados constam do Atlas da Qualidade da Água do Reservatório da Pampulha, publicação do LGAR a que o Estado de Minas teve acesso em primeira mão, e que será publicado no início do ano que vem.

Ao mesmo tempo em que a Copa do Mundo de 2014 fez a Copasa e as prefeituras de Belo Horizonte e de Contagem declararem estar mobilizadas para despoluir a Lagoa da Pampulha, o adensamento populacional que a região experimenta justamente por causa da valorização trazida pelo Mundial também ameaça inviabilizar essa tarefa.

Mesmo sem a aprovação da verticalização da orla na Câmara Municipal, especialistas afirmam que o aumento de tráfego na região e a construção de mais moradias são ameaças a um programa duradouro. Esse tráfego favorece o despejo de mais óleos e graxas para o reservatório. “O adensamento populacional traz excesso de tráfego e resíduos de óleo, graxa, resinas de escapamento, lonas de freio. Tudo levado pela chuva para a rede de drenagem que desemboca no reservatório. Além disso, os empreendimentos de alto luxo trazem atividades nocivas, como lavagem de pátios, estacionamentos e água de piscina”, alerta Ricardo Coelho.

Dúvidas

“A cidade está crescendo e aqui na Pampulha também vemos isso refletido no trânsito mais intenso de veículos”, atesta a presidente da associação dos moradores dos bairros São Luís e São José, Juliana Renault Vaz. “A prefeitura e a Copasa não procuraram os moradores. Por isso, não sabemos se haverá obras e a quem atenderão. A gente fica na dúvida se vai acabar tudo até a Copa, se serão maquiagens”, reclama Juliana. Como ela, várias pessoas que frequentam a orla duvidam da eficiência das obras. “Isso daqui é sujo demais da conta. Ninguém aguenta essa catinga. Não vão limpar tanto lixo até a Copa”, questiona o pedreiro João Gavião, de 54 anos. “Boniteza com sujeira não combina. Tinha de limpar, mas acho que vai voltar a ficar do mesmo jeito depois da Copa”, suspeita o operador de produção Adílson Manoel de Oliveira, de 34.

De acordo com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente, o monitoramento da qualidade das águas da Lagoa da Pampulha está sendo feito e até o fim do ano um relatório será divulgado. Ontem, o governo de Minas assinou, por intermédio da Copasa, contrato de R$ 102 milhões para impedir que esgotos cheguem aos córregos que abastecem a lagoa. A PBH pretende licitar seu projeto de despoluição no ano que vem.

Sujeira no dia a dia

O esgoto que cai diariamente nos córregos que abastecem a Lagoa da Pampulha, depositando anualmente mais de 54 toneladas de dejetos; os sedimentos que aterraram mais de 20% da lagoa; as algas que proliferam e encobrem a luz solar, vitimando peixes e extinguindo microorganismos. São várias facetas da grave contaminação que há décadas mancha um dos mais importantes símbolos da capital mineira. Desde domingo o Estado de Minas vem mostrando problemas desde as nascentes que abastecem a Pampulha aos programas que visam limpá-la antes da Copa do Mundo de 2014. Uma tarefa dura e custosa, de mais de R$ 200 milhões, e que muitos ainda não acreditam ser duradoura.

TRÊS PERGUNTAS PARA…

RICARDO MOTTA PINTO COELHO, Coordenador do laboratório de gestão ambiental de reservatórios da UFMG

Desde quando os caramujos transmissores de esquistossomose e os aguapés eram os problemas mais visíveis da lagoa, há 23 anos, o biólogo Ricardo Motta Pinto Coelho já revirava suas margens levantando grande parte das informações que hoje se tem sobre a Pampulha. Agora, como coordenador do Atlas da Qualidade da Água do Reservatório da Pampulha, a ser lançado no ano que vem, ele alerta para a necessidade de ações em vários setores para que não haja desperdício de dinheiro e as ações sejam duradouras.

1) O senhor acredita que a despoluição da Lagoa da Pampulha possa mesmo ser concluída até a Copa de 2014?

Sim, isso é possível. Fizemos experimentos em laboratório simulando ações de despoluição e é incrível a rapidez de resposta do ecossistema quando se remove o fósforo que entra por meio do esgoto. Agora, isso só será possível se a Copasa realmente desviar o esgoto doméstico para a estação de tratamento. Se tratar a água dos afluentes da Pampulha e devolver o esgoto para a lagoa, o fósforo volta e as algas crescem ainda mais.

2) O senhor vem dizendo que mais ações precisam ser feitas além das que a Copasa e as prefeituras de BH e de Contagem pretendem adotar. Quais seriam?

Não adianta as prefeituras e a Copasa tirarem o esgoto, tratarem a água, se não houver educação ambiental para que as pessoas tenham consciência e preservem. Mais empreendimentos habitacionais virão com o crescimento da cidade. É preciso ficar atento para o potencial poluidor, o lançamento de esgotos e o tráfego intenso de veículos.

3) São todas ações caras?

Nem todas. Há iniciativas baratas. Por exemplo, as tilápias são peixes que precisam ser controlados, pois revolvem o fundo da lagoa e espalham sedimentos e material poluído. São tão nocivos quanto alguns lançamentos de material contaminante. No entanto, enquanto a purificação de água por ozônio custa R$ 15 milhões, liberar a pesca da tilápia e outras iniciativas não chegam a consumir R$ 1 milhão.


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CARTA AO PREFEITO

8, novembro, 2011 Sem comentários

Senhor Prefeito de Belo Horizonte

Márcio Araujo de Lacerda.

 

 

 

As Associações Comunitárias que esta subscrevem, diante das declarações de V. Exa. recentemente e ainda em boa hora  divulgadas, vêm se posicionar sobre as mesmas e solicitar algumas providências, verificando que o Prefeito de Belo Horizonte preocupa-se em pautar a sua gestão nos limites da legalidade e é  sensível ao clamor da sociedade. 

 

Como é de conhecimento geral, alguns projetos em discussão atropelam parâmetros urbanísticos e ambientais, além de atentar contra áreas de tombamento protegidas pelo patrimônio histórico, trazendo dano irreparável para Belo Horizonte, ao permitir a expansão horizontal e a verticalização de edificações existentes, além de novas construções em zonas de proteção ambiental, cultural e paisagística. Não se pode assistir passivamente ao sacrifício da Mata do Planalto, da região da Pampulha, com a supressão de quadras e lotes de sua Área de Diretrizes Especiais – ADE, das encostas da Serra do Curral, da Mata do Isidoro, da rua Musas e da Lagoa Seca do Belvedere, entre outras.

 

Para justificar a verticalização em zonas de proteção ambiental, cultural e paisagística invoca-se a necessidade de “atender às demandas da Copa do Mundo – FIFA Brasil 2014”. Analisando-se os princípios constitucionais, a lei do tombamento, o Estatuto das Cidades, as leis e regulamentos do município de Belo Horizonte, como o Decreto nº 12.015, que trata do Fade Pampulha, verifica-se que a verticalização em áreas de proteção ZP1, nas que estão sob o risco de aumento caótico do adensamento já existente e nas ADEs, afronta a vasta legislação vigente.

 

Os signatários, como porta-vozes dos moradores de Belo Horizonte, querem sediar a Copa, querem que a cidade faça o melhor para honrar o seu compromisso e encher de orgulho e de alegria os seus habitantes. Mas querem também que as obras e providências em nome da Copa do Mundo constituam um verdadeiro e perene legado para os belo-horizontinos. E não um dano permanente, com a abertura de sérios precedentes, que poderão no futuro justificar outras transgressões e ilegalidades.

 

Em decorrência desses fatos e considerando a possibilidade que se abre para o diálogo e também a gravidade de novamente se correr o risco da não proteção ambiental das áreas verdes, das regiões que carecem de cuidados de mobilidade urbana, e, também, de não se considerar mais as normas que limitam a altimetria das edificações, as referidas Associações, sentem pela retirada do que foi acordado com o seu líder na Câmara dos Vereadores e com o representante da Gerência Técnico-Consultiva dessa Administração, isto é, o respeito ao documento elaborado, representado pelo substitutivo 034 ao PL 1692/11, quando ainda se encontrava o mesmo, passível de votação em segundo turno pelo Legislativo Municipal.

 

Assim, considerando-se o novo posicionamento do Executivo em relação ao assunto, as Associações de Moradores solicitam providências e esclarecimentos com relação aos seguintes pontos:

 

1) Informação sobre todos os projetos já licenciados e os em tramitação relativos à Copa do Mundo que, nos termos da lei, devem ser apreciados até 31de dezembro deste ano, com a publicização de suas localizações, finalidades e áreas construtivas, bem como dos nomes das respectivas incorporadoras. Esse pleito, já reiteradamente apresentado à Prefeitura e ainda não atendido, visa garantir a transparência do processo e a observância da legislação vigente por parte da administração pública, inerentes ao Estado Democrático de Direito.

 

2) A supressão de quadras na ADE da Pampulha com o objetivo de verticalização fere de morte o princípio constitucional da vedação ao retrocesso. A legislação infraconstitucional vigente, fiel a esse princípio, prescreve que novas leis só podem alterar as áreas de proteção e as ADEs se for para ampliar as restrições a que se sujeitam. Por isso, em princípio, as leis nº 9.959/2010 e nº 10.065/2010 afrontam a Constituição, podendo, a qualquer momento, ter a sua inconstitucionalidade arguida.

 

3) Na ADE da Pampulha, os pedidos de licenciamento de atividades que forem submetidos ao COMPUR, CDMCM e/ou COMAM deverão ser previamente encaminhados ao FADE DA PAMPULHA, nos termos do artigo 10 do Decreto nº 12.015. A administração municipal não tem cumprido essa obrigação de submeter previamente ao FADE DA PAMPULHA a análise dos projetos. Essa omissão conduz à nulidade de todos os processos em andamento e daqueles que vierem a ser implantados.

 

Somente assim, todos nós, incluindo V. Exa., estaremos com o esclarecimento pontual de cada uma das questões acima apontadas, liderando a construção DE UMA  PRIMAVERA PARA BELO HORIZONTE, legando ao futuro, não a possibilidade de aproveitamento de “benefícios” ilegitimamente chancelados, mas a oportunidade histórica de, desde já, reinventarmos a nossa cidade, preservando-a e dando aos nossos filhos exemplos de transparência, credibilidade e publicidade do ato público, compreendendo que alguns interesses, ora em discussão, por mais legítimos que sejam, não podem se sobrepor aos ditames da coletividade.

 

Procedendo de forma democrática e promovendo o diálogo imediato, presencial e permanente, todos nós, unidos, estaremos reinventando a nossa cidade e preservando-a, construindo para as gerações presentes e futuras, uma capital melhor de se viver.

 

 

Belo Horizonte/MG, 04 de Novembro de 2011.

 

 

ASSOCIAÇÃO PRÓ-CIVITAS DOS MORADORES DOS BAIRROS SÃO LUIS E SÃO JOSÉ. Tel.: 3490.4564 / 9981.1877/ 8429.1073.

ASSOCIAÇÃO DOS AMIGOS DA PAMPULHA - APAM.- Tel.: 9203.2727.

ASSOCIAÇÃO DOS MORADORES DO BAIRRO MANGABEIRAS. 

ASSOCIAÇÃO DOS MORADORES DO BAIRRO BELVEDERE. Tel.: 3286.6568.

MOVIMENTO SALVEAMUSAS. Tel.: 9958.0053.

ASSOCIAÇÃO DOS MORADORES DO ALTO SANTA LÚCIA.

ASSOCIAÇÃO DOS MORADORES DO BAIRRO DE LOURDES.

ASSOCIAÇÃO DOS MORADORES E AMIGOS DO BAIRRO SANTO AGOSTINHO.

ASSOCIAÇÃO COMUNITÁRIA DO BAIRRO PLANALTO E ADJACÊNCIAS. Tel.: 9671.6409 / 8857.9949.

MOVIMENTO EM DEFESA DA MATA DO PLANALTO. Tel.: 9996.5030

ASSOCIAÇÃO DOS MORADORES DO BAIRRO VILA CLÓRIS.

ASSOCIAÇÃO S.O.S BAIRROS – REPRESENTANTE OFICIAL DOS BAIRROS PRADO, CALAFATE, GUTIERREZ E BARROCA.

ASSOCIAÇÃO DOS MORADORES DO BAIRRO FLORESTA.

ASSOCIAÇÃO DOS MORADORES DO BAIRRO CORAÇÃO EUCARÍSTICO.

ASSOCIAÇÃO DOS MORADORES DO BAIRRO SERRA.

ASSOCIACÃO DOS MORADORES DA RUA MONTE AZUL, ARISTIDES CAMPOS E ADJACÊNCIAS-MANGABEIRAS – AMMA.

CONSEP125 ACSCD.

MOVIMENTO NOSSA BH.

ASSOCIAÇÃO DOS MORADORES DO BAIRRO SANTO ANTÔNIO.

UNIÃO DAS ASSOCIAÇÕES DA REGIÃO CENTRO-SUL DE BH.

 

 


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Sobre as contruções de novos hoteis

7, outubro, 2011 Sem comentários

Um evento de pouco mais de 30 dias não pode ser a única justificativa para a construção de novos hotéis

Uma frase-padrão vêm à cabeça, quase sem querer, quando as obras em um aeroporto atrasam ou o prazo para a entrega de um estádio é adiado: como o Brasil vai receber a Copa de 2014? Mas, em algumas cidades, a pergunta já mudou: E depois da Copa?

Belo Horizonte tem 18 mil vagas distribuídas em 107 hoteis, conforme informações da Associação Brasileira da Indústria de Hoteis em Minas Gerais (ABIH-MG). Também conforme a associação, a taxa de ocupação média é de 68%. Dados da Prefeitura de Belo Horizonte indicam que estão em fase de construção e licenciamento 65 novos hoteis na cidade, o que irá gerar mais 13 mil novas vagas até a Copa do Mundo. O incremento no setor hoteleiro significa um crescimento de 60% no número de estabelecimentos e de 72% no número de leitos.O investimento total chega a R$ 2,8 bilhões e a dúvida de quem se envolve com o segmento de hospedagem na capital mineira é: a cidade irá absorver tanta oferta de hoteis após a Copa do Mundo de 2014?

Leia também: Obras para a Copa estão atrasadas em todas as cidades-sede

Pesquisa divulgada pelo Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (FOHB) indica que Belo Horizonte recebe cartão amarelo (risco moderado) quando o assunto é superoferta de leitos em hotéis no pós-Copa do Mundo. O problema é que os dados são de março e, de lá pra cá, o número de autorizações para implantação de novos hoteis subiu. E pode continuar subindo. Uma nova pesquisa será divulgada no final de outubro. “Sem dúvida, uma Copa do Mundo torna os mercados mais atraentes para os investidores. No entanto, é importante compreender que um evento de pouco mais de 30 dias não pode ser a única justificativa para a construção de novos hoteis”, destaca Ana Maria Biselli Aidar, diretora executiva do FOHB.

Enquanto a pesquisa não sai, o mercado hoteleiro em Minas Gerais é tomado por especulações. “É preciso sempre ter atenção para evitar um desequilíbrio entre oferta e demanda. As estimativas de taxas de ocupação de Belo Horizonte não são baixas, mas a inauguração de novos hoteis pode levar esse indicador para níveis preocupantes”, alerta a diretora do FOHB. Hoje, BH tem o número suficiente de leitos de hotel necessários para receber a Copa do Mundo.

Problema antecipado

Não temos mercado para este número de leitos. Não existe deficit em Belo Horizonte. Em nenhum mês tivemos a hotelaria com 100% de ocupação”

Para alguns, o problema pode surgir antes mesmo da competição mundial. É o que teme Rafaela Fagundes Vale, presidente da ABIH-MG. Ela diz ser preciso investir não apenas na criação de novos espaços para eventos, mas ainda na infraestrutura de transporte aéreo. O principal aeroporto que atende Belo Horizonte está com seu projeto de ampliação atrasado. As obras sequer começaram. “Não temos mercado para este número de leitos. Não existe deficit em Belo Horizonte. Em nenhum mês tivemos a hotelaria com 100% de ocupação”.

O risco de superoferta existe e é moderado, mas o cenário não é catastrófico, avalia Alexandre Sampaio, presidente da Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação. “Existe um risco moderado para hoteis econômicos e até quatro estrelas. Tem um sinal amarelo, mas não é uma leitura catastrófica”, diz, justificando que a capital mineira tem muita demanda de turismo por causa da atividade mineradora no Estado, que deve ser ainda mais vigorosa nos próximos anos pela discussão de royalties pelo poder público.

O presidente do Belo Horizonte Convention & Visitors Bureau, Roberto Fagundes, destaca que os espaços de eventos na cidade, além de serem limitados, estão com agendas cheias para os próximos anos. “Só temos o Palácio das Artes e o Minascentro para convenções. Cada um comporta cerca de 1.700, quando, para um grande congresso, precisamos de um auditório para 4 mil pessoas. Além disso, as agendas estão lotadas”.

Além do turismo de negócios, a presidente do Instituto dos Arquitetos do Brasil de Minas Gerais (IAB-MG), Cláudia Pires, também destaca ser preciso revitalizar a cidade para vocações diferentes, como a do turismo cultural. Ela cita como exemplo a arquitetura da cidade e o museu Inhotim, que fica a 60 quilômetros de Belo Horizonte, maior centro de arte ao ar livre da América Latina.

Os otimistas

No meio de tantos alertas, Paulo Pedrosa, presidente do Sindicato de Hoteis, Restaurantes, Bares e Similares de Belo Horizonte e Região Metropolitana, é otimista e descarta a hipótese de haver superoferta de vagas no pós-Copa do Mundo. “Não vejo qualquer problema. Podemos ter problemas por causa do aeroporto, mas se houver mais vagas disponíveis, usa-se a criatividade. Não podemos julgar pensando que vai sobrar hotel, que vai quebrar hotel. Temos muita área, especialmente no turismo de negócios”.

Não podemos julgar pensando que vai sobrar hotel, que vai quebrar hotel. Temos muita área, especialmente no turismo de negócios. Temos que pensar que o sol nasceu”

É justamente o alto aquecimento do mercado de construção civil envolvido com o de hotelaria uma das principais preocupações do presidente da rede Bristol, José Adalto Silva.

Ele teme, por exemplo, aumento de custos pela grande procura por empregados e mobiliário. A Bristol tem quatro empreendimento hoteleiros em Belo Horizonte em fase de construção e licenciamento, mas Silva diz que a rede não levou em conta apenas a Copa do Mundo para construir novos hoteis. “São muitos hotéis ficando prontos ao mesmo tempo. Vamos ter um boom, nada de crescimento natural. Corremos risco de faltar serviços e bens para hotelaria porque vai ser tudo na mesma época, final de 2013 e começo de 2014. Há muitas redes construindo na mesma região e corremos o risco de superoferta, por isso, a prefeitura deveria ter limitado o número de empreendimentos por bairro”.

A prefeitura

Questionada se planejou a ocupação da cidade por novos hotéis com um estudo, a prefeitura, por meio da assessoria de imprensa da Secretaria de Desenvolvimento, disse que “existia um déficit de vagas há muito tempo, notório”. Também destacou que fez uma “legislação atrativa”, mas a regulação da quantidade de oferta deve ser feita pelo próprio mercado. “A prefeitura vai fazer um monitoramento”, informou também a assessoria.

Porém, a legislação recente incentiva o aumento do número de quartos. Para encorajar empreendedores, a prefeitura editou uma lei que ampliou a área de um lote a ser construída. Se antes poderia se construir pouco mais do que o dobro do terreno, hoje pode-se ocupar até cinco vezes o tamanho de um lote. E o que isso significa? Mais espaço para construir gera exatamente mais leitos. Se a média de quartos hoje para cada hotel fica em 168 apartamentos, com a nova lei este número sobe para 200.


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Lagoa da Pampulha - Estudante lamenta descaso com a orla

7, outubro, 2011 Sem comentários

Escrito por Leonardo Ribeiro dos Santos

Belo Horizonte

Parabéns ao Estado de Minas pela brilhante e procedente matéria ‘Tropeços no cartão-postal’ (Gerais, 15/9/2011), a respeito da precariedade da orla da Lagoa da Pampulha. A situação é realmente deplorável. Fui vítima de um dos buracos no ano passado, e em consequência da queda fraturei o braço. Diariamente, presencio e socorro pessoas que tropeçam nos inúmeros buracos e desníveis nas pistas. Há anos, absolutamente nada é feito, e em função disso as pistas encontram-se destruídas e sem sinalização. Há lixeiras derrubadas, muretas e bancos quebrados, bebedouros completamente enferrujados e com vazamentos. Isso sem falar no mau cheiro da lagoa. Pior que isso é ler o depoimento do secretário de Administração da Regional Pampulha, dizendo que obras de manutenção são feitas sistematicamente. Quanta mentira! Não é preciso ser nenhum especialista para constatar que o quadro atual é de total abandono. Não há absolutamente nenhuma manutenção. O descaso da administração municipal com o famoso cartão-postal de nossa cidade é total.